Séries

Minha pesquisa parte da observação da natureza e da memória como campos em constante transformação. Interesso-me por aquilo que permanece mesmo depois de sofrer alterações: um vestígio, uma forma, uma linha, uma lembrança, uma camada de matéria. Na pintura, trabalho por acumulação. Sobreponho imagens, cores, transparências e gestos, permitindo que algumas formas desapareçam enquanto outras emergem. O processo envolve construção e apagamento, controle e acaso. Busco criar imagens que não se encerram em uma representação, mas que possam ser percebidas como espaços de passagem, onde diferentes tempos, formas e memórias coexistem.

Pequenas Permanências
Em Pequenas Permanências, investigo memória, transformação e permanência a partir de formas orgânicas, camadas e sobreposições. As formas permanecem como vestígios, situadas entre presença e ausência. A pintura torna-se um campo de passagem, onde aquilo que desaparece também deixa marcas e aquilo que surge carrega fragmentos do que existiu antes. Parto da ideia de que a permanência não significa imobilidade. Permanecer também pode ser transformar-se, deslocar-se e deixar rastros.
Floragens
Em Floragens, investigo as possibilidades de transformação das formas da natureza em linguagem pictórica. Flores, folhas e estruturas vegetais são fragmentadas, sobrepostas e reconstruídas, afastando-se da representação literal para dar origem a composições que transitam entre figuração e abstração.
 
Por meio da sobreposição de camadas, da articulação entre manchas de cor, linhas e contornos, construo superfícies em que formas orgânicas se aproximam, se atravessam e se desdobram. O gesto de pintar não busca reproduzir a natureza, mas reinventá-la, explorando seus ritmos, suas estruturas e suas possibilidades de organização visual.
 
A flor permanece como referência e, ao mesmo tempo, se transforma em matéria para a pintura. Entre o reconhecimento e o indeterminado, as imagens revelam um universo orgânico em constante movimento, no qual a natureza deixa de ser apenas motivo para se tornar uma linguagem em transformação.
Pinturas Bordadas
Em Pinturas Bordadas, a pintura se constrói pelo entrelaçamento de linhas, grafismos, recortes e formas que se sobrepõem, criando superfícies densas, minuciosas e repletas de detalhes. A repetição dos motivos e a delicadeza do desenho aproximam o gesto pictórico de uma prática artesanal, evocando o bordado sem abandonar a liberdade e a materialidade da pintura.
 
Figuras, elementos orgânicos, símbolos e padrões ornamentais convivem em composições nas quais os limites entre figuração e abstração se tornam fluidos. Por meio da acumulação de camadas, cores e traços, as imagens se transformam continuamente, revelando novas relações entre as formas e diferentes ritmos visuais.
 
Mais do que preencher a superfície, cada linha participa da construção de uma trama visual, na qual o tempo, a repetição e o gesto manual se tornam parte da própria linguagem da pintura.
Aquilo que germina
Investigo a semente como potência de transformação. Trabalho com formas orgânicas que se acumulam, se entrelaçam e se expandem, criando estruturas entre o reconhecível e o abstrato. Por meio de camadas, cores e sobreposições, exploro o intervalo entre aquilo que permanece latente e aquilo que começa a surgir.
Paisagens Habitadas
Em Paisagens Habitadas, construo territórios imaginários nos quais elementos da natureza, animais, símbolos e grafismos se entrelaçam, dando origem a universos que transitam entre o lúdico, o simbólico e o onírico. Pássaros, folhagens e formas orgânicas convivem com padrões e sinais, compondo paisagens que não correspondem a lugares reais, mas a espaços inventados, povoados por presenças e relações que se revelam aos poucos.
 
Por meio da sobreposição de camadas, da repetição de motivos e da elaboração minuciosa de linhas, contornos e texturas, crio superfícies nas quais figuração e abstração coexistem. As pinturas convidam o olhar a percorrer esses espaços, descobrir detalhes e estabelecer relações entre as formas, criando um território visual próprio, em que a paisagem deixa de ser apenas cenário para se tornar um lugar habitado pela imaginação.
Pinturas Orgânicas
Nesta série, investigo a transformação das formas da natureza e a passagem do tempo por meio de superfícies que carregam marcas de desgaste, irregularidades e vestígios que remetem a uma memória material. Os fundos são construídos em um processo de corrosão e sobreposição, criando texturas que sugerem a ação do tempo e as marcas deixadas pela história na matéria.
 
É a partir dessas superfícies que as pinturas começam a nascer. Ao observar as manchas, as texturas e as formas que emergem do suporte, estabeleço relações com minhas próprias memórias e percepções. O que reconheço ou imagino nessas marcas orienta o surgimento de flores, folhas e formas orgânicas, em um processo intuitivo no qual a imagem se revela gradualmente.
 
Por meio de linhas, transparências, veladuras e novas camadas, as formas se transformam, transitando entre figuração e abstração. A pintura se constrói, assim, em diálogo com aquilo que já existe na superfície e com aquilo que surge durante o fazer, estabelecendo relações entre natureza, memória, matéria e tempo.